Sopa - Folclore e Tradições

 

Esse povoado situa-se em meio a uma sugestiva paisagem pontuada pela presença de grandes pedreiras, e tem sua  origem na extração de diamantes nos terrenos à margem dos córregos. No entanto, acredita-se que sua ocupação  teve início na mesma época que o Arraial do Tijuco, provavelmente em fins do século XVIII. Até meados do século  XX ainda se explorava o diamante na região em torno do arraial, chegando mesmo a funcionar uma fábrica destinada  à lapidação das gemas. Os trabalhos principais de extração eram desenvolvidos por uma companhia americana de  mineração, denominada Sopa Diamond Mine Limited. Essa empresa permaneceu, entretanto, pouco tempo em  atividade, encerrando suas pesquisas sob alegação de improdutividade das jazidas. Sopa foi elevada à categoria de  distrito pela lei nº. 2764, de 30 de dezembro de 1962.

 

A denominação “Sopa”, cuja toponímia tem permitido diversas interpretações, ganhou status de unidade geológica e  como tal destaca-se no contexto geológico brasileiro. Entretanto, é explicado pelos moradores como uma espécie  de caldeirão que parecia uma sopa de pedras e que se encontrava diamantes no fundo. Supõe-se, assim, que o arraial de Sopa tenha surgido em decorrência da mineração diamantífera nas suas proximidades, em área com terreno de formação argilosa, justificando a denominação recebida.

 

Ainda hoje é cenário de extrativismo garimpeiro realizado por populações locais que encontram somente nesse trabalho um meio de subsistência.

 

O distrito de Sopa desenvolveu-se ao longo de uma via principal, que coincide com a estrada de ligação à Sede. O núcleo urbano resume-se à igreja de Santa Rita e ao grande largo com o casario em volta. Na entrada do distrito, cortando perpendicularmente o eixo principal, outra estrada leva aos locais onde funcionavam os garimpos, operados nas margens dos córregos e, mesmo, no meio dos cascalhos do campo. Algumas edificações se erguem na beira dessa estrada e têm o aspecto mais simples ainda que as casas do centro urbano. A estrada principal se divide, após passar pela igreja, em três vias que levam à área rural e a São João da Chapada.

 

Ao lado esquerdo do povoado, ficava a bela chácara dos Caldeirões. Na margem esquerda do córrego dos Caldeirões, ainda há um tanque artificial, construído em pedra, bastante seguro e espaçoso para conter pequenos barcos à vela.

 

Foi Manuel Ferreira da Câmara Bethencourt e Sá, conhecido como Intendente Câmara, o primeiro brasileiro talhado por Portugal para acompanhar de perto a extração e implementar novas técnicas de beneficiamento do diamante, com o propósito de aumentar a produção e, paralelamente, tentar coibir o contrabando sendo elemento de modernização e progresso na região. A “Quinta dos Caldeirões”, como a chácara era chamada, além de funcionar como área de retiro e lazer, a chácara foi também local onde o intendente desenvolvia estudos sobre piscicultura, agriculturas alternativas e até navegação, provocando a admiração dos visitantes. Suas belezas singulares de mais de 200 anos, caso do curral todo cercado por pedras, herança do trabalho escravo. Atualmente encontra-se em péssimo estado de conservação.

Em frente a Capela de Santa Rita há uma grande área verde, que é freqüentada pelos moradores da cidade e também são realizadas as festas religiosas.

 

O velho povoado quase nada conserva de sua feição do passado, restando como construção de interesse cultural apenas a pequena capela dedicada à Santa Rita, com o casario ao redor do largo. Entre as festividades e tradições religiosas locais, está a Festa Junina com as quadrilhas, além das festas anuais de São Sebastião, em janeiro, a de Santa Rita, em 22 de maio, Semana santa, e a Festa de Nossa Senhora Aparecida. O grupo de Folia do Distrito de Sopa também participa da Semana do Folclore-Folia de reis que acontece em Diamantina.

 

Os festeiros da Festa de Santa Rita que são escolhidos têm, além de promover a festa religiosa, com todos os seus preparativos, ou seja, novenas, levantamento do mastro, cortejo em procissão, demonstram um afeto singular para com a Capela. A cada ano o festeiro responsável faz um mutirão de pequenas reformas na Capela, são pequenos reparos no telhado, no piso, no forro e uma mão de pintura na fachada e no altar mor.

 

O Distrito de Sopa possui uma Associação Comunitária de Artesão de Sopa (COOPARTE) que tem como trabalhos manuais a produção de: peças em biscuit, caracterizando os personagens históricos e culturais da cidade de Diamantina, confecções em crochê, tricô, bordados (inclusive do tipo macramé), lapidação de cristais etc. O artesanato é vendido em Diamantina, nas feiras que são promovidas no Mercado Velho todos os sábados e também nas “Sextas-Culturais”.

 

Informações fornecidas pela Prefeitura de Diamantina.