Mendanha - Folclore e Tradições

 

O distrito de Mendanha está localizado a 18 km de Diamantina, situado no sopé da serra Mendanha e cortado pelo rio Jequitinhonha tendo sua origem ligada à exploração de diamantes, como quase todas as localidades próximas ao antigo arraial do Tijuco. De acordo com a literatura existente, em princípios do século XIX, a região ainda possuía um dos maiores serviços de extração do distrito diamantino, onde trabalhavam cerca de mil escravos. O distrito foi criado em 1865, pela lei nº. 1251, de 17 de novembro, sendo depois extinto por algum tempo e novamente instituído em 1938, pelo Decreto Lei nº. 148 de 17 de dezembro.

 

As vias de acesso são duas: Uma estrada asfaltada que liga o distrito a Diamantina e ao Norte de Minas,e a outra pelo Caminho dos Escravos, cuja pista é calçada de pedras construído nos séculos XVIII e XIX,e marca o início da Estrada Real ligando Diamantina A Paraty no Estado de Rio de Janeiro. Atualmente reside em sua casa, Dona Carolina, sua única filha viva, que tem aproximadamente 80 anos. Dona Carolina conserva sua casa com características originais.

 

A ponte que liga as duas partes da cidade foi construída no início da colonização, sob o Rio Jequitinhonha, a ponte era a única passagem para atravessar o rio, diante disso a Corte portuguesa determinou a cobrança de pedágio, sendo assim, o primeiro pedágio no Brasil.

 

O distrito de Mendanha esteve intrinsecamente ligado à Diamantina, sendo um dos pontos mais importantes para a Coroa Portuguesa, nas grandes retiradas de diamantes. Apesar de ser um distrito de Diamantina, é relevante sua participação histórica no desenvolvimento de toda a região, incluindo outros municípios fronteiriços, principalmente no que tange a escravidão e a participação da mão de obra escrava no território.

 

O distrito ainda conserva a riqueza histórica desta época em seus casarões, muros de pedras, caminhos calçados pelos escravos, as histórias contadas pelos moradores e muitas outras. Dentre estas tantas singularidades importantes, destacamos o Cemitério dos Escravos. Atualmente, a preocupação com a preservação é mínima diante de um patrimônio tão frágil como este. Entretanto, alguns professores da Escola Municipal de Mendanha, já fazem um trabalho de esclarecimento e de educação patrimonial com os alunos no sentido de conscientizar da importância em valorizar suas raízes, ou seja, a descendência africana presente nos moradores do Distrito.

 

Ainda hoje a atividade de extração de diamante é a principal fonte econômica da população do Distrito de Mendanha. Entretanto, essa atividade é supervisionada por órgãos ambientais com intuito de preservar o meio ambiente. Assim, apesar da atividade garimpeira o local conserva belíssimas paisagens e atrativos naturais. E o turismo é a grande expectativa de trabalho e renda para a população.

 

A igreja de Nossa Senhora das Mercês, que não se conhece documento sobre a época precisa de edificação desta igreja, mas pelas características construtivas, deve ela remontar ainda ao período colonial. Trata-se, de templo bastante modesto, com plana dividida em nave, capela mor e, lateralmente a estas duas sacristias a maneira de puxados. A fachada, extremamente singela, e marcada por uma torre central e única, mostrando um jogo bem simples de vãos, com a porta principal, duas janelas a ela diagonais na altura do corpo e pequeno óculo na empena. A cobertura o corpo da igreja e capela-mor e em duas águas e as da sacristias em meia água independente. Todos os vãos tem enquadramento em madeiras e vergas retas.”

 

A Igreja passou há pouco tempo por uma reforma que descaracterizou-a de seus valores coloniais, sendo que, até mesmo suas imagens e objetos sacros de valor histórico e patrimonial foram vendidos. Existe hoje na Igreja somente uma imagem de Santana Mestra que foi tombada pelo decreto Municipal nº 024 de 09 de abril de 2003. Celebra-se anualmente no distrito e na Igreja, no mês de setembro, a festa dedicada à Padroeira Nossa Senhora das Mercês.

As casas guardam ainda características coloniais e algumas de maior interesse estão localizadas ao lado da passarela que liga os dois conjuntos residenciais do distrito. Faz parte do entorno de cruzeiro da praça principal. Junto a ela encontram-se outras residências do estilo colonial destacando-se uma casa de maior porte, que está bastante conservado inclusive um muro de pedra. Existe ainda vestígios de uma Casa de Tropa, onde as tropas se recolhiam para passarem a noite.

 

Outra residência de maior relevância é a casa do farmacêutico/curandeiro: José Joaquim de Oliveira. Conta-se no distrito que José Joaquim de Oliveira, exercia as atividades da medicina, “encanando” braços, pernas, dedos, etc. e fazendo infusões que eram usadas para a cura de gripes, alergias, problemas intestinais e outros males. Tais atividades foram repassadas a ele pelo seu pai, que era um fazendeiro que possuía muitos escravos e usava seus conhecimentos para tratá-los. O casarão foi totalmente restaurado, ficando apenas algumas referencias do estilo colonial.

 

O Cemitério dos Escravos de Mendanha é um dos maiores símbolos da cultura negra desse distrito, que tem suas raízes cravadas na atividade mineradora. Sua localização na área urbana é uma forte demonstração da presença africana nessa região, estabelecida às margens do Jequitinhonha. O estado atual de abandono e depredação contribuiu para o esquecimento e indiferença a esse testemunho, cuja manutenção, com os devidos serviços de resgate e valorização ambiental, evidenciará o recolhimento e a contribuição dessa sociedade nos séculos XVIII e XIX, para as gerações futuras.

 

Apesar da vegetação de cerrado que cresce pelo terreno, o local apresenta-se em bom estado, conservando muros de pedras e um cruzeiro central. Sua construção foi em meados do século XVII e resiste até os tempos atuais. O cemitério foi tombado pelo município por seu valor histórico- cultural pelos moradores do distrito.

 

O distrito é cercado por áreas verdes de belezas diversificadas. Várias cachoeiras, o Rio Jequitinhonha que corta a cidade, Grutas e o Caminho dos Escravos que segue até Diamantina. No núcleo urbano foi identificado a Praça Maria das Dores como local de socialização e onde ocorrem algumas festas religiosas tradicionais, festa juninas, etc.

 

O artesanato de Mendanha se concentra num grupo de mulheres, coordenado por dona Dalva e sua filha Verônica, que produzem bordados em ponto de cruz e repassam a técnica às crianças e adolescentes que não têm emprego, sendo este, portanto, um trabalho de cunho social. As manifestações culturais tradicionais são as mesmas da maioria dos distritos do município, como a folia de reis, as festas religiosas seguem as tradições locais, festa do padroeiro e do Rosário.

 

 

Informações fornecidas pela Prefeitura de Diamantina.